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Reunião termina sem abertura de investigação contra presidente Campello

Reunião termina sem abertura de investigação contra presidente Campello


Crédito: Rafael Ribeiro/Vasco.com.br

Na madrugada desta terça-feira (4), se encerrou a reunião no Conselho Deliberativo do Vasco da Gama, que servia para apurar denúncias sobre Alexandre Campello. O documento foi assinado por 60 conselheiros. O presidente do CODE, Roberto Monteiro, convocou a reunião, que teve início às 20:30h de segunda-feira (3), para, através de voto, decidirem pela abertura ou não de uma investigação para saber se houve gestão temerária do presidente do Club.

A alegação era de que Campello não honrou acordos judiciais com cerca de 200 funcionários demitidos, o que causou um prejuízo de aproximadamente R$ 4 milhões ao clube. O presidente negou qualquer oneração aos cofres vascaínos. Por 105 votos contra 97, a maioria votou por não dar prosseguimento à denúncia. Segundo o portal GloboEsporte.com, caso o processo de abertura de sindicância fosse em frente, o presidente Campello deveria renunciar ao cargo.

A reunião contou com mais de 200 participantes e começou com o vice-presidente jurídico do Vasco, Rogério Peres, tentando, sem sucesso, impugnar as 60 assinaturas da denúncia para tentar evitar o encontro e proteger Campello. Após a tentativa fracassada, foi a vez dos conselheiros pedirem a palavra para proteger ou atacar o presidente vascaíno.

Luis Manuel Rebelo, aliado de Julio Brant, um dos mais influentes conselheiros do Club, criticou Campello e o acusou de mentir no momento de justificar um empréstimo de R$ 30 milhões. Rebelo disse que o presidente usou a desculpa de o dinheiro ser urgente para evitar o vencimento da 3ª folha salarial, mas que dias depois, mesmo sem a aprovação do empréstimo, pagou um mês de salário.

Após a fala de Rebelo, o vice-presidente de finanças do Vasco, João Amorim, defendeu a gestão Campello e afirmou que verbas a receber da Rede Globo foram penhoradas e que por isso o empréstimo se fazia necessário. O próprio Alexandre Campello pediu a palavra para complementar:

“O trabalho é incansável, diário. Talvez o senhor [Rebelo] não saiba, pois não está presente. Fui até a sala dos beneméritos para falar sobre o empréstimo. Sendo assim, os 30 milhões não surgiram do nada. As penhoras impactaram significativamente nas garantias. O dinheiro que tivemos foi o suficiente para pagar apenas os salários, não o direito de imagem dos jogadores.”

Eurico Brandão, conhecido como Euriquinho e filho do falecido Eurico Miranda, ex-presidente do Club, esteve presente na sede náutica da Lagoa e discursou contra a abertura de sindicância para investigar a gestão:

“Ninguém aqui é mais criança. Todo mundo sabe que o que está sendo feito é o início de um processo político que visa o impeachment do presidente. Acima de tudo, tem um processo que vai causar 15, 30 dias de paralisação completa do clube e querem discutir empréstimo? Aqui não tem nenhum retardado”, atacou, Euriquinho.

“Quer discutir empréstimo, marca uma reunião pra daqui a 5 dias. Quem vai emprestar 30 milhões a um clube que vive um processo de sindicância para atacar o presidente? Sem nenhum carinho pelo presidente Campello, pensando somente no Vasco, peço que considerem a não-formação dessa comissão”, completou, sendo aplaudido e vaiado ao mesmo tempo pelos presentes.

Às 22:35h, após os discursos de pessoal contra e favor da abertura da investigação, o presidente do Conselho Deliberativo do Vasco, Roberto Monteiro, deu início à votação, que foi secreta, em cabines. Um por um foi sendo chamado nominalmente em um processo que durou uma hora e meia.

Presidente Campello ocupa o cargo desde janeiro de 2018, após uma manobra para ser eleito com apoio principalmente do recém-falecido Eurico Miranda, um dos mais ativos vascaínos dentro do clube enquanto vivo.

Um terço do empréstimo aprovado

Alexandre Campello havia pedido a Roberto Monteiro a convocação de uma reunião exclusivamente para discutir um empréstimo de R$ 30 milhões para honrar os compromissos financeiros do Club até o fim de 2019. O presidente coloca cotas de transmissão de jogos como forma de garantia.

Entretanto, no encontro desta noite, o Conselho Deliberativo aprovou apenas R$ 10 milhões para serem utilizados imediatamente. Os outros R$ 20 milhões serão analisados durante a semana e discutidos em uma nova reunião, marcada para a próxima segunda-feira (10).

Relembrando as eleições

No dia 7 de novembro de 2017, ocorreram as eleições entre sócios do Vasco da Gama. Na ocasião, a chapa vencedora foi a ‘Reconstruindo o Vasco’, de Eurico Miranda, que tentava reeleição, com 2111 votos. Em segundo lugar, ficou a chapa ‘Sempre Vasco’, de Julio Brant e Alexandre Campello, com 1975 votos. Após uma série de ações judiciais, a Justiça ordenou a exclusão da urna número 7, pois nela haviam votos com suspeita de fraude por parte de Eurico.

Sem os votos da urna 7 contabilizados, a chapa ‘Sempre Vasco’ ultrapassou a ‘Reconstruindo o Vasco’ por 1933 votos contra 1683. A 2ª fase da eleição foi disputada no Conselho Deliberativo em 20 de janeiro de 2018. Há apenas dois dias da data, Alexandre Campello, que até então era candidato à vice-presidência de Julio Brant, decidiu romper com os integrantes da ‘Sempre Vasco’, deixando a chapa de oposição.

Após uma série de conversas entre chapas, no dia da eleição do Conselho foi confirmado que Eurico Miranda, após ser derrotado nas urnas, decidiu por não concorrer à presidência na 2ª fase da eleição, colocando o próprio Alexandre Campello em seu lugar. O médico-ortopedista, através dessa manobra, conseguiu obter 154 votos, número mais do que suficiente para ser indicado ao cargo de Presidente-Administrativo do Club de Regatas Vasco da Gama.

Sendo assim, foi a primeira vez na história do Club que o Conselho Deliberativo não levou em consideração o resultado das urnas. Após o pleito, o vice-colocado, Julio Brant, que teve apenas 88 votos no Conselho, falou em traição e disse não entender o motivo da saída de Campello de sua chapa há poucas horas da eleição final:

“Talvez a imensa vontade de ser presidente e a chance do cargo ser entregue pra ele pelo Eurico Miranda. A traição veio dele, portanto ele tem que dizer quando começou a arquitetar essa traição. Agora, realmente é muito triste ver que nós trabalhamos essa chapa e ela foi eleita por quase dois mil sócios com o discurso de tirar o Eurico Miranda do Club. E no final um membro sai da chapa para apoiar e ser apoiado pelo Eurico”, ponderou Brant.

“O que aconteceu aqui foi uma vergonha, uma mancha na história do Club. Em seus 120 anos, jamais aconteceu de a vontade do sócio, que representa a voz de milhões de vascaínos espalhados pelo Brasil e pelo mundo, ser desrespeitada aqui no Conselho. Isso é uma vergonha para um clube que se diz democrático”, disse na época.

“Aconteceu aqui do segundo lugar [Eurico Miranda] se juntar ao quarto lugar [Alexandre Campello], a quem se dizia ser contra, para, assim, impedir uma real mudança dentro do Club de Regatas Vasco da Gama”, finalizou.

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